Política Nacional

Pacto Contra o Feminicídio: Poderes articulam ações de proteção às mulheres

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A articulação entre os três Poderes da República para acelerar medidas protetivas, ampliar o monitoramento de agressores e combater a cultura de violência contra às mulheres foi destacada nesta quarta-feira (20) durante cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Sob o compromisso “Todos por Todas”, representantes do Legislativo, Judiciário e Executivo apresentaram um balanço das ações voltadas à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero.

A solenidade teve a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Representando a Mesa do Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE), segundo vice-presidente, afirmou que a participação conjunta das instituições tem permitido avanços concretos no enfrentamento ao feminicídio e sublinhou a atuação da bancada feminina do Senado na formulação de propostas legislativas e ações de proteção às mulheres.

— A Bancada Feminina do Senado é extremamente ativa e tem feito seguidas propostas, não só do ponto de vista legislativo, mas de ações concretas do Parlamento — declarou, ao destacar a atuação das senadoras Leila Barros (PDT-DF), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Eliziane Gama (PSD-MA) e Soraya Thronicke (PSB-MS), também presentes. 

Segundo Humberto Costa, um dos resultados mais importantes do Pacto Contra o Feminicídio foi a redução do tempo para concessão de medidas protetivas às vítimas de violência doméstica. Para ele, a rapidez na análise desses pedidos pode ser decisiva para evitar o assassinato de mulheres.

Humberto Costa também destacou a utilização de tornozeleiras eletrônicas para monitorar potenciais agressores já submetidos a medidas protetivas. De acordo com ele, a iniciativa demonstra a efetividade da cooperação entre os Poderes.

O senador avaliou ainda que o pacto pode produzir mudanças não apenas na responsabilização criminal dos agressores, mas também na cultura brasileira em relação à violência contra as mulheres.

— Mais do que a ação da lei, da Justiça e da polícia, nós precisamos promover uma mudança cultural. Levar esse debate para as escolas e para os diversos espaços de convivência social é fundamental para que o país não continue convivendo com essa estatística terrível — disse.

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio reúne ações integradas dos governos federal, estaduais e municipais, além do Legislativo, Judiciário, Ministério Público, defensorias e sociedade civil, com foco na prevenção da violência, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.

Ações do Congresso

Durante a cerimônia o presidente Lula destacou a contribuição do Legislativo na elaboração dessas medidas. 

— É da gente reconhecer publicamente o Congresso Nacional, que muitas vezes é criticado e poucas vezes elogiado. É de se elogiar a rapidez e a ousadia de vocês [parlamentares], de aprovarem tantas coisas em tão pouco tempo. 

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Lula ainda disse que a união de forças e o resultado colhido até o momento demonstram que vale a “pena gritar, ousar e acreditar” e que as ações se tornam possíveis quando há vontade política. Para ele, essa é uma luta coletiva, em que todos devem ter a responsabilidade de proteção e respeito à mulher. 

— O que nós estamos percebendo aqui é que o silêncio não ajuda. É que quando o estado mostra que está cumprindo com as suas obrigações as pessoas passam a confiar. E quando as pessoas passam a confiar, elas começam a denunciar. Quando a medida protetiva não é apenas uma lei colocada no papel, mas é uma composição de coisas básicas que dá a certeza a pessoa de que ela vai ser protegida de verdade, ela começa a acreditar e começa a denunciar.

Entre as normas que tiveram origem no Congresso, foi mencionado o PL 2.942/2024, que originou a Lei 15.383, de 2026, a qual estabelece a monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma e prevê causa de aumento de pena no crime de descumprimento de medida protetiva. 

Também foi citado o PL 3.112/2023, que deu origem à na Lei 15.380, de 2026, que altera a Lei Maria da Penha para estabelecer que a audiência de retratação nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher somente seja realizada mediante manifestação expressa da vítima antes do recebimento da denúncia.

Acolhimento

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, destacou o fortalecimento da pauta de proteção às mulheres no Legislativo e citou o programa “Antes que Aconteça”, criado a partir de um projeto de lei apresentado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), voltado à prevenção da violência e ao acolhimento de vítimas.

Ele também defendeu o avanço de propostas como a criminalização da misoginia e afirmou que mudanças culturais passam pela educação, pela ampliação da rede de proteção às mulheres e também pela redução da jornada de trabalho. 

— Os lares brasileiros são, em sua maioria, chefiados por mulheres. Muitas delas tornam-se vítima da violência e acabam sufocadas pela ausência de tempo. Tempo até mesmo para denunciar uma agressão e reorganizar a própria vida. 

Misoginia digital

Ainda na solenidade, Lula assinou dois decretos para a proteção das mulheres no ambiente digital. Um deles altera o Marco Civil da Internet para regulamentar os deveres e possibilita a responsabilização das plataformas digitais, bem como atribui competência à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para regular, fiscalizar e apurar infrações ao Marco Civil da Internet. 

Outro decreto é o de proteção de mulheres no ambiente digital. Uma norma que tem por objetivo disciplinar deveres dos provedores de internet e instituir mecanismos voltados à prevenção e ao combate à violência contra à mulher na internet. 

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Medidas protetivas

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin afirmou que a atuação conjunta dos três Poderes fortalece a proteção às mulheres e ajuda a promover mudanças culturais. 

Fachin também ressaltou o apoio da Defensoria Pública a órfãos do feminicídio, inclusive para garantir acesso à pensão especial. Ele destacou a ampliação do uso de ferramentas digitais para acelerar medidas protetivas e defendeu ações voltadas à reeducação de autores de violência.

— É fundamental mudar a cultura que naturaliza a violência. E, para isso, no âmbito do Judiciário, nós, no STF e no Conselho Nacional de Justiça, definimos como uma das prioridades estratégicas a estruturação de diretrizes nacionais para os grupos reflexivos e responsabilizastes, o que significa tratar com homens, autores de violência ou potenciais violadores, para que essas entregas signifiquem uma mudança real na sociedade. 

Sanções 

Lula aproveitou a cerimônia para sancionar quatro projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher. Entre eles, o PL 2.083/2022, conhecido como Lei Bárbara Penna, que reforça a proteção às vítimas de violência doméstica e familiar, e o PL 1.099/2024, que cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher. 

Também foram sancionados o PL 5.609/2019, que torna mais rápida a aplicação de medidas protetivas de natureza cível para a mulher, e o PL 3.257/2019, que afasta o agressor sexual, moral ou patrimonial da mulher. 

Prisões de agressores

Entre os avanços destacados durante a cerimônia estão a realização de um mutirão nacional, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que resultou em mais de 6,3 mil prisões de agressores. 

Em outra frente, o esforço do Judiciário alcançou redução significativa no tempo de análise das medidas protetivas de urgência, que passou de 16 para cerca de 3 dias — com aproximadamente 90% das decisões sendo proferidas em até dois dias.

100 dias

Os 100 dias do Pacto também foram marcados pela ampliação da rede de proteção e por ações estruturantes de prevenção à violência em todo o país: as Casas da Mulher Brasileira realizaram 148 mil atendimentos desde janeiro e chegaram a 12 unidades em funcionamento; mais de 6,5 mil mulheres passaram a utilizar dispositivos portáteis de rastreamento de agressores integrados às medidas de monitoração eletrônica; e o governo do Brasil lançou um pacote de ações para incluir a prevenção à violência contra a mulher nos currículos da educação básica e fortalecer o enfrentamento à violência nas escolas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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CDH aprova sugestão legislativa de reajuste anual na bolsa do Mais Médicos

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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quarta-feira (20) Sugestão Legislativa de reajuste anual, com base na inflação, da bolsa-formação do programa Mais Médicos. A SUG 17/2026, apresentada por meio do Portal e-Cidadania, altera a Lei 12.871, de 2013, para estabelecer novos valores para as bolsas de formação, supervisão e tutoria, além de definir um índice oficial de correção monetária anual.

O texto propõe um reajuste de 100% em relação aos valores originais, estabelecidos em 2013, quando o programa foi criado. Com isso, a partir de 1º de julho de 2026, ficam fixados novos patamares: R$ 20 mil para a bolsa-formação, R$ 8 mil para a bolsa-supervisão e R$ 10 mil para a bolsa-tutoria. A proposta estabelece reajustes anuais com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O texto teve relatório favorável do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) e passa a tramitar como projeto de lei. A ideia legislativa apresentada pelo cidadão Marcel Aureo Farias Moreira em janeiro de 2026 teve mais de 20 mil apoios, sendo convertida em sugestão para análise da CDH.

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O autor ressaltou que os médicos participantes do programa não contam com uma garantia legal de reajuste periódico, dependendo exclusivamente da edição de portarias do Ministério da Saúde. Ele apontou uma perda inflacionária acumulada de 38,21% e argumentou que a reposição não configura aumento real, mas sim a manutenção do poder de compra.

Ao avaliar a sugestão, Zequinha Marinho destacou a expressiva defasagem nos valores repassados desde 2013. Naquele ano, uma portaria interministerial fixou a bolsa-formação em R$ 10 mil, a de supervisão em R$ 4 mil e a de tutoria em R$ 5 mil. Passados 13 anos, enquanto o auxílio destinado à formação passou para R$ 14.161,63, os valores de supervisão e tutoria não tiveram atualização monetária.

No mesmo intervalo de tempo, o IPCA, mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou uma variação acumulada de 102,98%, gerando, segundo o senador, prejuízos que ameaçam a continuidade dos atendimentos.

Diante disso, o senador se manifestou favorável à aprovação da proposta, destacando que a iniciativa repara perdas e valoriza esses profissionais,

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— A importância do Programa Mais Médicos para assegurar a prestação dos serviços de saúde nas regiões mais distantes e carentes do Brasil é indiscutível e a defasagem hoje existente no pagamento dos profissionais envolvidos no programa é uma ameaça à sua continuidade — afirmou o relator.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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