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Rastreabilidade do boi ganha valor estratégico e se torna exigência para exportação de carne

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Crescimento do agronegócio reforça importância da rastreabilidade

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025 em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho reforça a relevância do setor no comércio global de proteína animal e evidencia uma mudança no padrão de competitividade internacional.

Nesse novo cenário, comprovar a origem e as condições sanitárias do rebanho passou a ser um fator determinante para a exportação de carne bovina.

“Passaporte sanitário” do boi define acesso a mercados premium

Na cadeia da carne bovina, o valor do produto no exterior começa a ser definido ainda antes do abate. O chamado “passaporte sanitário” do boi reúne informações sobre saúde animal, procedência, bem-estar e conformidade ambiental.

Esses registros são cada vez mais exigidos por mercados considerados premium, especialmente na Europa e na Ásia, onde as regras sanitárias e ambientais são mais rigorosas.

Falhas na rastreabilidade podem reduzir valor e limitar exportações

Com a previsão de regras mais rígidas para 2026, a qualidade dos registros sanitários passa a ter impacto direto no preço da carne exportada.

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Lacunas no histórico dos animais ou falhas nos controles sanitários podem resultar em restrições comerciais, perda de contratos e desvalorização do produto brasileiro. Além disso, problemas sanitários pontuais podem afetar o desenvolvimento dos animais e reduzir o rendimento da carcaça.

Mercado internacional valoriza origem e credibilidade do rebanho

Segundo Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta, mercados europeus e asiáticos priorizam a rastreabilidade antes mesmo da compra da proteína animal.

“O mercado europeu e asiático compra origem, histórico e credibilidade antes mesmo de comprar proteína. Um lote sem rastreabilidade completa pode ser barrado ou precificado abaixo do mercado, independentemente da qualidade da carne”, afirma.

O executivo destaca que ainda há produtores que tratam o registro sanitário como burocracia, quando na prática ele funciona como um ativo estratégico.

Logística e biossegurança são fundamentais na cadeia de rastreabilidade

Para garantir a confiabilidade dos dados ao longo de toda a cadeia produtiva, é necessário que as informações sejam geradas de forma contínua, desde o campo até o frigorífico. Nesse processo, a logística é considerada um ponto sensível, responsável por preservar a sanidade do rebanho durante o transporte.

Tecnologias de biossegurança vêm sendo incorporadas para reduzir riscos sanitários. O sistema TADD System, desenvolvido pelo Grupo Setta, atua na desinfecção de veículos e equipamentos utilizados no transporte de animais, ajudando a limitar a circulação de patógenos entre propriedades e unidades industriais.

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Segundo estudos do setor, a adoção dessas práticas pode contribuir para menor incidência de doenças e melhor rendimento de carcaça, refletindo em maior valor de mercado.

Biossegurança impacta diretamente a rentabilidade da produção

“A credibilidade do passaporte sanitário depende de cada elo da cadeia. Um veículo contaminado pode comprometer o histórico de um lote inteiro e inviabilizar uma exportação. Biossegurança na logística é proteção direta de receita”, destaca Vinicius Dias.

Rastreabilidade define valor da carne brasileira no exterior

O Brasil segue competitivo no mercado internacional de carne bovina com base em escala e preço. No entanto, a comprovação da origem e do histórico sanitário do rebanho passa a ser cada vez mais decisiva para garantir acesso a mercados exigentes e determinar o valor pago pelo produto brasileiro no exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Governo do Brasil fortalece pesquisa e inovação com biodiversidade brasileira e amplia repartição de benefícios

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O Governo do Brasil lançou, nesta quarta-feira (10/6), decreto que aprimora a regulamentação da Lei nº 13.123/2015, conhecida como “Lei da Biodiversidade”, e fortalece os mecanismos de acesso ao patrimônio genético brasileiro, ao conhecimento tradicional associado e à repartição de benefícios decorrentes de sua utilização. A medida cria instrumentos para ampliar a rastreabilidade de pesquisas e inovações realizadas no exterior com recursos da biodiversidade brasileira, promovendo a repatriação de resultados científicos e tecnológicos por meio do registro em bases de dados nacionais e assegurando maior efetividade ao sistema brasileiro de acesso e repartição de benefícios. 

O ato foi assinado em solenidade do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. 

O novo marco parte de uma demanda histórica da comunidade científica, especialmente das entidades que integram o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), com o objetivo de estimular o intercâmbio de dados e resultados de pesquisas realizadas com a biodiversidade nacional no Brasil e no exterior, facilitando o registro desses resultados em bases de dados nacionais.  

A medida foi desenvolvida para viabilizar e agilizar a associação entre instituições sediadas no exterior que realizam atividades de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e instituições brasileiras de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, mesmo que não exista parceria prévia estabelecida entre elas. Essa associação permitirá o registro, no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen), das atividades realizadas no exterior com a biodiversidade brasileira, assegurando a rastreabilidade das informações e contribuindo para a efetiva repartição de benefícios decorrentes da exploração econômica de produtos oriundos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico realizados no exterior. 

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A estratégia amplia a capacidade de gestão, transparência e segurança jurídica do sistema, além de fortalecer a soberania do país sobre seus recursos genéticos por meio do acompanhamento do uso da biodiversidade brasileira em âmbito internacional. 

A secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, explica que o instrumento amplia a capacidade do país de identificar, acompanhar e acessar conhecimentos, dados e resultados gerados a partir do patrimônio genético e do conhecimento tradicional, fortalecendo a produção científica nacional e criando oportunidades para o desenvolvimento da bioeconomia. “O decreto representa um importante avanço para a implementação da “Lei da Biodiversidade” ao fortalecer os mecanismos de acesso, monitoramento e repartição de benefícios”, pontuou Carina.  

O acesso aos resultados de pesquisas desenvolvidas em outros países com base na biodiversidade brasileira permitirá que universidades, centros de pesquisa, startups e empresas nacionais ampliem suas capacidades de inovação e identifiquem novas oportunidades de parceria para o desenvolvimento tecnológico. A norma também favorece a agregação de valor às cadeias produtivas da sociobiodiversidade e fortalece a competitividade da indústria nacional baseada em recursos biológicos. 

Outro avanço está no fortalecimento dos mecanismos de conformidade regulatória para usuários estrangeiros do patrimônio genético brasileiro. A regulamentação cria condições para que empresas e instituições sediadas no exterior cumpram integralmente as obrigações previstas na legislação brasileira, incluindo aquelas relacionadas à repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da exploração econômica de produtos desenvolvidos a partir da biodiversidade nacional. 

A ampliação da regularização dessas atividades contribuirá para aumentar a repatriação dos benefícios monetários associados ao uso do patrimônio genético brasileiro e dos conhecimentos tradicionais associados. Os recursos poderão apoiar ações voltadas à conservação da biodiversidade, à valorização dos conhecimentos ancestrais de povos indígenas e de povos, comunidades e agricultores tradicionais, ao uso sustentável dos recursos biológicos e ao fortalecimento da pesquisa científica e da inovação tecnológica. 

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Cooperação institucional 

Como parte da estratégia de implementação da medida, o decreto institui a Aliança das Instituições Públicas Nacionais de Pesquisa Científica e Tecnológica pela Biodiversidade (APBio). A iniciativa reunirá instituições públicas de pesquisa para promover cooperação técnica, compartilhamento de boas práticas e fortalecimento das capacidades nacionais relacionadas ao cadastro e à conformidade regulatória das atividades de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado. 

As instituições públicas passam a fazer parte da APBio por meio do estabelecimento de Acordos de Cooperação Técnica com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) ou com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Atualmente 6 instituições nacionais já estabeleceram cooperação técnica com o MMA para participar da APBio: Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Museu Paraense Emílio Goeldii, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Outras instituições sediadas em diferentes regiões do país estão em processo de construção dos acordos para integração na Aliança em breve. 

A APBio também atuará como instrumento de apoio e facilitação do estabelecimento de associação administrativa para fins de cadastro com instituições estrangeiras, viabilizando um processo de repatriação de resultados científicos e tecnológicos gerados no exterior, contribuindo para ampliar a participação brasileira nas redes globais de pesquisa, inovação e desenvolvimento associadas à biodiversidade.  

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA

(61) 2028-1227/1051
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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